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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

PERIGO NO AR






















Puseste os pés no chão da minha rua
Como a chamar-me cedo pra brincar,
E ao ter-te, sol, flamante a me afagar,
Corri de ti pra ver se vinha a lua. 

E veio, qual mulher que se insinua

Na passarela em sensual vagar,
Chamou-me pra com ela eu ficar,
E me assustei ao vê-la linda e nua.  

Todo esse jeito novo e encantador 

Me deslumbrou pra além do meu destino
Numa emboscada do mais puro amor. 

E quando olhei, meu sonho peregrino

Se debatia num atroz furor
Vestido em calça curta de menino...


terça-feira, 10 de novembro de 2015

BRANCO E PRETO















(lampejo de uma inspiração vinda do poeta Odir Milanez)

Flores tuas, compostas em soneto,
Muito mais do que flores são arpejos
Lindos, suaves, maviosos como beijos
Para a boca que os tem como amuleto. 

Se são notas vestindo branco e preto,
Venha a amada atender aos teus desejos
De dar cor, em anseios, aos solfejos
Dos teus versos cantantes, num dueto.

Rosas, lírios, jasmins são universos
De enlevo e encanto à alma da mulher
Que se extasia ante esses tons diversos...

Porém, a cor querida, a que ela quer,
Vem do poeta, da mão que pinta versos
Para ela. Na cor que ele quiser.


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

TODAS AS CORES

















(navegando na inspiração azulada do poeta Odir Milanez/PB,
 a quem agradeço e abraço)

O meu olhar me prometeu um céu
Garboso e lindo com milhões de cores
Nas pipas vivas exalando olores
Em sonhos desvairados de papel.

Correu pro mar o meu olhar ao léu,
Buscou um barco que eu enchi de flores
Na minha infância. Hoje navega dores
De uma inocência que perdeu o mel.  

Ao colorir-me de sutil quimera,
De cor eu pinto a cicatriz de um ai
De despedida em certa primavera:

Saudosa lágrima no rosto cai.
Sorrio azul. Sei que ao final da espera
Verei os azuis olhos de meu pai. 

SONHANDO AZUL

Pintura de Jean-Baptiste VALADIE



















           
(uma inspiração vinda do poeta Odir Milanez/PB, a quem agradeço e abraço)

Ao mar azul gostosamente amar,
Em cada pingo uma carícia linda,
O mar imenso e de beleza infinda
Ao qual me dou, sonhando me azular.

O céu azul se curva e beija o mar
Num azular estonteante e brinda
Meus tantos sonhos. Eu me pego ainda
Sonhando azul neste meu vão sonhar...

De azul eu pinto as mil e uma cores
Da Natureza rica em colorido
E faço azuis cinzentos dissabores.

Toda em azul, desperta-me o sentido
De ser amada entre azuladas flores
No mais azul que nunca houvera sido.



domingo, 23 de agosto de 2015

FLORES DISPERSAS

Bela Arte de Neia













Não serão menos belas aquelas
Que se quedam ao chão sem perdão,
Pedaços de bondade, sem maldade,
Do ontem caídos, hoje esquecidos...

A flor terá sempre o seu valor

Na beleza que deixa os olhos
E vai morar no coração...
E no perfume que embriaga a razão...

A flor cresce e fenece.

Está presente na beleza do nascer
Dos que chegam à Vida
Para realizar o milagre de viver.

A flor enfeita o adeus que escorreu

Na lágrima dos que se despedem e choram
A dor da partida, doída,
Do que, inerte, faz que adormeceu.

A flor vive na vida todos os tempos... 

Quando nasce, já está morrendo...
Quando morre, já está renascendo...
E quando cai,  é só uma imagem que vai...

Flor no galho, beleza em ação;

Flor no chão não é em vão...
Alimento da terra e da Criação...
A flor ressurge em cor e paixão... 

Assim são todas as coisas

Chamadas do mal ou do bem...
Adormecem, mas acordam...
Reciclam a Vida no seu vai e vem...

Pessoas são flores:

Apontam nos galhos,
Muitas desabrocham em seus  olores.
Descartadas, viram frangalhos,
... De cena retiradas,  pisadas...
Mas não morrem... Ressurgem das dores
E explodem em novos fulgores,
 Em novo amanhecer...
...

... Para não deixar a Vida morrer!


Cartas de alforria
Escritos de Regina Coeli
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FELICIDADE
















Felicidade é desfrutar a vida
Naquilo que ela tem de tão pungente
— A gentileza, em flores estendida,
Buquê precioso a perfumar a gente.

Felicidade é bem agradecer
A linda flor que cai da tua mão
E, tão bonita, vem reverdecer
O meu jardim imerso em emoção. 

Felicidade é ver que o meu sorriso
Ficou alegre, e a minha alma pura
Vestiu-se em flor, cheirando à tua ternura,
Formando aleias rumo ao paraíso. 

Felicidade é, sem dormir, sonhar
Com uma flor para enfeitar o dia
E para a noite, sim, inebriar
Canteiros de sonhada fantasia. 

Felicidade é perceber olores 
Nas mãos gentis que colhem alegria
E a repartem em buquês de lindas flores
Como bom vinho, em taça, que extasia...

Felicidade é mitigar a sede;
Sentir beleza sob o firmamento,
Buscar estrelas a piscar pro vento;
Querer ser hera atada a uma parede...

Felicidade é este bem-querer
Que a flor desperta em mim, me faz querida,
Doce regalo à luz do anoitecer,
Tua meiga flor na flor da minha Vida!


Cartas de alforria
Escritos de Regina Coeli
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quarta-feira, 22 de julho de 2015

MAYA... MENINA... GUERREIRA!





Maya vibra de emoção,
dorme feliz em seu ninho
no compasso da oração
do canto do passarinho...
                                                (31-12-2014) 
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Neste 22 de julho
nossa alma mais erguida
num misto de pranto e orgulho
reverencia a Mãe-Vida.

Maya saiu do hospital
e à sua casa chegou
pra brincar no seu quintal
cada sonho que sonhou.


























Oito meses de clausura,
lutando para viver,
sorvendo do ar a ternura
para um novo amanhecer! 





Fervorosas orações,
pensamentos só de Amor,
transformaram as vibrações
no chão perfeito pra flor.

E floriu, encantadora,
a flor rara em seu sorriso.
Maya, tenaz lutadora,
fez brotar da dor o riso.

Sorriso hoje escancarado
enche de luz cada olhar
que se crê bem ao seu lado
feliz por acreditar!





Não há um prêmio melhor
do que a Paz de uma criança;
não há dádiva maior
se com saúde ela avança!

Maya irá por seu caminho
com óculos cor-de-rosa,
devagar voará do ninho
pra Vida maravilhosa. 

Com mamãe e com papai,
fundamentais na vitória,
a guerreira Maya vai 
escrevendo a própria história.   


By Penny Parker





















Uma vida, muitos sonhos,
noites de cálido luar,
nunca mais dias tristonhos,
muitos braços pra abraçar...

Os avós, tão sábias mãos,

foram elos na corrente
mais perfeita, sem desvãos,
levando Maya pra frente.

Dorme, Maya, em teu bercinho,
sonha lindo, que hoje é o dia
no qual nasces bem juntinho
do Amor, da Paz, da Alegria.



Ouve, Maya, esse refrão
que vibra nesse teu ninho:
menininha, és só canção,
és canto de passarinho!


By Penny Parker


(tia-avó da menina Maya e que a abençoa;
Rio de Janeiro/RJ, 22 de julho de 2015)


terça-feira, 30 de junho de 2015

PENSANDO BEM...




Eu te vejo entre as letras do teu verso
Desenhando metáforas bonitas
Pra dizer coisas que não foram ditas
Ou as dizendo de um jeito bem diverso.

Eu te sinto de um jeito controverso:
Faz-te um mar indo em ondas infinitas,
Faz-te um laço rasgando velhas fitas,
Mas menino perdido no universo. 

Não importa nem mesmo o teu poema
Destinar-se a um alguém que não sou eu,
Que há muito, bem o sei, não sou mais tema...

A mim basta saber que quem perdeu
De entender esse velho teorema
Foi o teu raciocínio, não o meu.

Cartas de alforria
Escritos de Regina Coeli
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segunda-feira, 8 de junho de 2015

TANTO AMAR

Inesquecível Arte de Ilka Vieira
























(inspiração vinda de um soneto do poeta Odir Milanez, a quem agradeço)


Amei demais. Raiado o alvorecer,
O dia me sorria tão contente
No rosto idolatrado à minha frente,
O meu maior enlevo pra viver. 

Quantas vezes amei? Não sei dizer.
Ouvi que o amor se achega de repente,
Instala-se amoroso, bem envolvente,
Durando... enquanto dura o bem-querer...  

E é mesmo assim. Sem malas, vai embora
Um alguém driblando pífias despedidas
De quem fica pra trás e, amando, chora.  

Amei em meio a vindas e partidas,
Mas hoje me ama a sempre meiga aurora
Nas cores que amo, e que julguei perdidas.  



Cartas de alforria
Escritos de Regina Coeli
__________

Rio de Janeiro/RJ, 05-06-2015.



domingo, 24 de maio de 2015

AMOR DE MÃE

















Ser mãe é ter a vastidão do mar
Que dá o peixe à fome por comida.
É ser asa maior a um filho erguida
Para ensiná-lo a mais alto voar.

Porém há filhos ávidos do olhar
Daquela que lhes trouxe à luz da Vida,
Enquanto outros felizes à acolhida
De almas-mães doando a eles seu amar.

Amor de mãe... um sentimento terno
Que eleva a fêmea ao mais sagrado amor
Em pétalas de flor do amor materno.

Mulher-amor, a mãe-mulher-fervor
Em divinal missão que faz eterno
Seu bem-querer a um filho redentor. 


Cartas de alforria
Escritos de Regina Coeli
__________



sexta-feira, 8 de maio de 2015

ALTIVA RUBRA ROSA


























Banhada pelo sol, amadurece.
Perdida a virgindade, o seu botão
Entrega-se à feliz contemplação
De quem fez dele rosa, e sempre a aquece. 

Viceja no sublime de uma prece

A rosa, mercadora da ilusão
De um certo olhar, que a prende em sua mão,
Jamais morrer na hora que anoitece... 

Ao vê-la com as pétalas murchando,

Sozinha no raminho, tão esquecida,
Mas seu entorno ainda perfumando, 

Fiz dela o meu símbolo de Vida

Vendo-a chorar, enquanto eu, sangrando,
Beijava-lhe o espinho, enternecida.

Cartas de alforria
Escritos de Regina Coeli
___

CÁRCERE

















E quando olhei profundo os olhos dela,
Bateu-me bem mais forte o coração
No olhar furtivo, escravo da emoção 
De se espiar um segredo da janela.  

Entrei no espaço oculto de uma cela.
Paredes de uma aguda solidão
Guardavam cada sim e cada não
Que a boca, por fechada, não revela. 

E de repente um grito aconteceu
Vindo daquela que bem fixo olhava 
O meu olhar, e a mim reconheceu.   

Descoberto, meu peito soluçava
Vendo no espelho a mulher que eu 
Encarcerei, mas cujo olhar gritava.

Cartas de alforria
Escritos de Regina Coeli
__________

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

ORAÇÃO AOS INFINITOS CÉUS - Regina Coeli / ENTRELACE de Humberto - Poeta



Foto/Imagem animada de Ernst, Suíça (uso autorizado)



















(inspiração vinda de um Encontro Poético com os parceiros Vera Mussi e Eugénio de Sá em 13-01-2013, e que hoje, 17-01-2013, ofereço aos parceiros Elio Mollo e A Era do Espírito) 


Perdoai, ó Deus, meus rotos, pobres versos,
Que num ultraje à lei gramatical
Mesclaram "Vós" com "Ti" e achei normal,
Pois os poetas caminham chãos diversos...

Não classifiques de rotos ou pobres
os versos que depreciando vais,
pois até mesmo em poetas mais nobres
flagramos infrações pronominais.

Mas, não! Se vou buscar o que há de Belo,
Tem que haver no meu verso a adequação
Que faz a forma e o som serem canção
Bonita e imune à força de um libelo.

Buscar o belo é aspiração suprema
dos que temem expor-se a algum libelo...
Não ligues, pega logo o teu poema,
retoca-o no que caiba e põe no prelo!

Ó Meu Senhor, mais longe eu quero ir,
E transcender o etéreo céu de anil,
Para sentir aquilo que sentiu
O pranto que aprendeu o que é sorrir.

De olhar voltado para a imensidão
subir anseias cada vez mais longe;
Pra tanto tens a calma e a mansidão
que só se encontram num soturno monge.

Vede, Senhor, o Tom das Parcerias,
Um Elo magistral do Vosso Amor,
Matizando um jardim com toda a cor
Das flores em sublimes alquimias.

A tais parceiros graças Deus dará
sem que tua prece o Seu ouvido aguce,
pois sabe Ele quem é Eugénio de Sá
e conhece o valor de Vera Mussi!

Sou grão, eu sei, tão ínfimo e menino,
Mas sei que a mão da triste solidão
Regala-se ao sentir uma outra mão
Num toque que é tão Belo... e que é Divino!

Quem se acha um cisco e declará-lo ousa
mesmo arrostando acerba solidão,
esquece os males ao sentir que pousa
sobre seus ombros a Divina Mão!

Elevo a Vós agradecido olhar,
Porque os nobres Parceiros que me dais
São estrelas luzindo Amor e Paz,
Dando asas aos meus pés para eu voar...

Agradece-lhe, sim, e Lhe irradia
o brilho que há em teus versos prazenteiros,
e O louva pela grata companhia
de tão prendados e gentis Parceiros!



Cartas de alforria
Escritos de Regina Coeli

Entrelace: Humberto Rodrigues Neto (14-04-2013)


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Com a minha sincera gratidão a poeta Regina Coeli,
cujo presente poético oferecido ao A Era do Espírito
me envolveu de imensa e agradável felicidade.
Elio Mollo


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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

"VINDE A MIM AS CRIANCINHAS..."


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Um Novo Ano

Se em mim bate a desconfiança 
num amanhã mais feliz,
pouso os olhos na criança
e bebo o que ela me diz

quando quebra a escuridão
e com franco riso vem
alumiar-me a solidão,
fazendo-me rir também.  

Que a criança me abençoe
na candura que ela traz
e que esse dulçor me doe 
a fé num mundo de Paz.

Aos petizes nosso Amor,
flor tão bela, flor da Vida,
que um petiz é como a flor,
mais bela, se mais querida.

Acordo a criança que fui,
pois vale a pena sonhar
a infância que ainda flui
quando me ponho a brincar.

(Regina Coeli, 31-12-2014)


Pintura de Penny Parker































TEMPO DE NATAL
(Para Maya, nascida em 20-11-2014)

Versos simples e singelos
não vieram lá do céu
nem são presentes tão belos
como os do Papai Noel.

Estes versos louvam a Vida,
a vontade de viver
e uma ânsia desmedida
de fazer acontecer.

Versos cheinhos de Amor
cantam luzes de Natal
que piscam por sobre a flor
nascida num hospital.

Uma flor pequenininha,
pouco maior que um botão
que a mão do papai continha,
transbordando o coração.

Era uma flor-passarinho
que voou precocemente,
mas voltou de novo ao ninho
pra crescer completamente. 

Ao ninho da mãe querida
não mais podia voltar,
assim, num outro acolhida,
cuidou asas pra voar.





Um passarinho que é flor,
uma flor que é um passarinho...
Imagens doces do Amor
que cria os seres no ninho.

Uma flor busca o jardim,
a ele vai enfeitar.
Um passarinho em festim
contente sai a voar.

Quem ela é, afinal?
Uma flor ou um passarinho
que chegou para o Natal
e o hospital é o seu ninho?

Levinha feito uma pena,
flor-menina quer voar
pra sua casa e, serena,
no seu bercinho sonhar.















Um coral de passarinhos

solfeja olhando pro céu
e flores ornam os caminhos
que trazem Papai Noel. 

Olhares fitam o Infinito,
altar da sublime Fé,
nos corações faz-se um agito,
é o mar subindo a maré.

Eis que vem Papai Noel,
com um sorriso de Amor
traz um presente de mel
num saco em forma de flor.















Abre o saco devagar

com mãos plenas de bonança,
fazendo dele escapar 
o pássaro da Esperança,



que volteia sobre o mar,
pousa na areia da praia,
tem no bico flor do amar,
pequena, de nome Maya.

Tenra flor, uma menina,
flor-boneca, já guerreira,
lutar tem sido sua sina
pra viver a vida inteira.

Abre as pétalas a flor,
é hora de perfumar
todo um jardim sonhador
da Mãe-Vida em seu passar.







Foto de Karen Wiltshire


Maya vibra de emoção,
dorme feliz em seu ninho
no compasso da oração
do canto do passarinho. 
















Um beijo com amor e carinho,


(tia-avó da menina Maya, que a abençoa)
Rio de Janeiro/RJ, 25 de dezembro de 2014.






OLHA AÍ O ZÉ...
(05-02-2014)

O Zé chegou já fortão,
caminha pra 1 aninho,
é alegre e fanfarrão
com cara de menininho.

Coloridamente vai 
metendo sua mão na terra,
com água a sujeira sai,
sem choro, barulho ou guerra.

Criança meiga e feliz,
cada dia é um novo dia
que o Zé pensa, mas não diz,
pra ele se encher de alegria.

Ficou forte o Zé Sapinho,
coaxando em qualquer lagoa,
lindo e esperto garotinho
faz da vida vida boa. 

Vive em meio à natureza,
com seus cães ele sorri,
sente que a Vida é beleza
e desfrute aqui e ali.

Saber não sei se é sapeca
O Zé, madeira de lei,
mas sei que come panqueca
e gosta, ah, isso eu sei.


Um beijo, Zé, com amor e carinho, da sua tia-avó, que o abençoa.
Rio de Janeiro/RJ, 31 de dezembro de 2014.




TU, JOAQUIM
(16-12-2013)

O mundo poderá passar sem mim,
que sou ocaso olhando a imensidão,
lembrando a flor que fui no meu jardim,
hoje tão murcho em exaurido chão...

... Mas quando vens, engalanada a Vida
renova as folhas, pinta cada flor
na tela da paixão reverdecida
às suaves tintas desse teu alvor.

Chegas sereno à luz da fresca aurora
que é teu abrigo ao deslizar dos dias;
sejam também portais da tua hora
as brincadeiras, risos e alegrias.

Vens tu, criança, para me encantar
os olhos baços já por tantos sóis
no viés do tempo; sob a luz do luar,
em serenatas a esquecer bemóis.

Dou-te o sorriso meu, o mais aberto
e o mais feliz de muitos já sorridos,
sonhando-te um caminho o mais liberto
por cânticos de fé aos teus ouvidos.

Que os Céus salpiquem sobre ti estrelas,
muito mais belas com o teu dulçor,
e havendo em ti desejo de entendê-las,
compreenderás, Joaquim, o que é o amor... 
  

Com o carinho e o amor da titia-avó,
que o abençoa.
Um beijo.

Rio de Janeiro/RJ, 17 de janeiro de 2014.





CLARA
(27-05-2003)

e


ANDRÉ

(04-09-2006)

Chegaram há algum tempo

essas ricas estrelinhas
que adotam por passatempo
no Céu traçarem suas linhas.

Vivem do amor dos seus pais,

do carinho dos avós,
tios e primos, tantos mais,
não os deixam ficar sós.

Já sentem o que é despedida

e o sabor da comunhão.
Sabem que a dor da partida
atraca no coração.

Mas sabem também que a hora

tece o bordado do amor,
e aquele que no hoje chora,
no amanhã mata sua dor.

São crianças, inda o são,

vão seu mundo construindo,
mas seus traços brilharão
no Céu de lábios sorrindo.

E essa boca me sorri

em favos de puro mel
nas crianças que senti
vibrando da Terra ao Céu.


Com carinho e Amor da sua tia-avó, que os abençoa.

Um beijo.


Rio de Janeiro/RJ, 31 de dezembro de 2014.